quinta-feira, 31 de maio de 2018

Novidade Desejada - O Bairro dos Jornais


Desta vez a novidade é relativamente recente, foi lançada no final do passado mês de Abril mas é capaz de ter passado despercebida pois não a vi muito divulgada por aí, talvez por não ser um tema que desperte um amplo interesse.

Para mim junta vários assuntos de que gosto e me são próximos: Lisboa numa perspectiva histórica da vivência de um dos seus bairros típicos e o jornalismo ao nível dos seus bastidores e da vida boémia a ele associada. Tal foi mais do que suficiente para despertar o meu interesse e curiosidade com a abordagem de um assunto nunca tratado.




Cerca de 600 as publicações instalaram-se no Bairro Alto até aos dias de hoje: diários e semanários, matutinos e vespertinos, generalistas e especializados, desportivos e satíricos, folhas anarquistas, órgãos partidários, revistas de banda desenhada e jornais de espectáculos.

O BAIRRO DOS JORNAIS aborda esse fenómeno de concentração da Imprensa no Bairro Alto, consolidado a partir de meados do século XIX e que se manteve, embora com menor impacto, até à década de 70 do século XX. Com um carácter de quase antologia dá a conhecer as publicações, a localização das redacções, o território urbano da «capital da Imprensa portuguesa», a sua evolução ao longo do tempo assim como as entidades relacionadas com o sector também lá presentes como, por exemplo, o Sindicato dos Jornalistas, a Casa da Imprensa, a Hemeroteca e os Serviços de Censura/Exame Prévio do Estado Novo.

Este seu carácter evocativo e enciclopédico do Bairro da Imprensa com uma análise e relato histórico do seu mapa interminável torna este livro uma visita-guiada às histórias que marcaram o Bairro Alto e os seus jornais.


Um livro que agradará a quem tem curiosidade pela história de Lisboa permitindo conhecer um dos seus microclimas que durante anos deu uma vida muito própria e repletr de cultura ao Bairro Alto. E também cativará quem tem interesse ou é da área do jornalísmo podendo ficar a conhecer um pouco mais dos seus meandros em determinada época.

Paulo Martins é jornalista desde 1983, professor universitário e autor de vários livros. Integrou a redacção de uma dezena de jornais e é investigador do CAPP (FCT-ISCSP), no Grupo de Sociedade, Comunicação e Cultura.


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terça-feira, 8 de maio de 2018

Livro de Citações - Diário de Anne Frank



« (...) uma pessoa pode sentir-se só, mesmo no meio de muita gente amiga, se souber que não ocupa um lugar muito especial no coração de alguém.»


« Aquele que é feliz, espalha felicidade. Aquele que tem coragem e confiança, nem na infelicidade se afogará!» 


« (...) custa-me compreender que alguém possa dizer «sou fraco» e se deixe ficar fraco na mesma. Se a gente conhece os seus defeitos porque não tenta então corrigi-los.»


«Como seria bela e boa toda a Humanidade se, antes de adormecer à noite, evocasse os acontecimentos do que passou, se reflectisse no que foi bom e no que foi mau.»



« Quero vir a ser alguém. (...) Quero continuar a viver depois da minha morte. E por isso estou tão grata a Deus que me deu a possibilidade de desenvolver o meu espírito e de poder escrever para exprimir o que em mim vive.»

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Revolutionary Road: Livro vs Filme

Mais uma vez a sequência deveria ser invertida pois vi primeiro o filme, logo quando estreou no cinema em 2009 e só agora li o livro já há algum tempo na minha estante, mas é um dos casos em que não chegaria ao livro se não fosse o filme. Lembrava-me de alguns acontecimentos específicos da história mas não de tudo e tinha a lembrança especialmente da sua forte carga dramática e emocional, voltei a vê-lo para melhor poder fazer a comparação e as lembranças confirmaram-se. 

REVOLUTIONARY ROAD
de Richard Yates
Civilização Editora, 1996
Romance
172 páginas

O livro é o retrato de um casal americano dos anos 50 acomodado a uma vida suposta de se viver, de forma a suprimir as necessidades da família criada, que ao se resignar e seguir os modelos sociais da época vai acabar por deixar para trás as suas promessas e sonhos de uma vida diferente. O resultado é uma realidade repleta de insatisfação e frustração numa relação de frequente tensão e conflito.

Frank e April Wheller idealizavam viver de forma especial e diferente da maioria, mas uma gravidez precoce e não planeada seguida pouco tempo depois de outra empurra-os, em 7 anos para a vida tipicamente americana de subúrbio na Revolutionary Road. Uma vida que não suportam mas em que se vão ver enredados. Com uma certa dose de arrogância, julgam-se superiores aos que os rodeiam, mais interessantes e inteligentes, mas não conseguem fugir à mediocridade confortável que dizem todos os outros viver nem à aparente imagem de família feliz que passam.

Frank queria descobrir e sentir as coisas mas tem um emprego que não suporta, na mesma empresa que o seu pai, carregando o peso da sua figura. April aspirava ser actriz mas tornou-se numa mãe e dona de casa que nunca sequer desejou ser ficando aprisionada nesses papéis.  O fracasso de uma peça de teatro amador em que April participa vem acentuar essa vida de frustração, mas em oposição acaba por acordar-lhe o sonho adormecido da tal vida diferente e elabora um plano para se mudar com a família para Paris onde Frank tinha estado durante a 2ª Guerra e onde, segundo eles, as pessoas estão e são mais vivas, sentem verdadeiramente as coisas e encontram-se mais longe das exigências consumistas. Para eles é uma fuga ao vazio sem esperança de tudo que reconhecem viver e que subitamente se sentem com coragem para enfrentar.

Um romance cru, recheado de angústia e frustração transmitida de forma acutilante com uma linguagem por vezes bem cirúrgica  que o torna inquietante e nos inquieta com uma série de questões sobre a forma como vivemos, como lidamos com as nossas frustrações e como elas podem afectar as nossas relações familiares e o que fazemos com as oportunidades únicas de mudança que surgem.
Gostei da sua densidade, do desenvolvimento  das personagens tanto do casal Frank e April ao nível das visitação ao seu passado e das marcas que a infância lhes deixou como dos seus amigos e da sua caracterização pormenorizada que permite um conhecimento mais profundo. Gostei do tanto que nos leva a pensar e reflectir.
Não gostei muito do final mas faz todo o sentido e é coerente com o desenrolar da narrativa.

**** (Gostei Muito)






REVOLUTIONARY ROAD
de Sam Mendes
com Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Kathy Bates, Michael Shannon
Drama
2008



O filme sendo muito fiel ao livro em termos dos factos perde e distancia-se principalmente pela ausência das referências ao background do casal e das suas vivências de infância/juventude que nos permite conhecê-los melhor, assim como das outras famílias que constituem o seu núcleo de convivência. Pormenores que poderiam dar ao filme ainda mais densidade.
As interpretações de Leonardo Di Caprio e Kate Winslet fazem jus aos personagens e são brilhantes, transmitindo na perfeição toda a sua carga dramática, Kate ganhou inclusive inúmeros prémios como Melhor Actriz em diversos festivais de cinema por esse mundo afora. De destacar também a personagem de John Givings que no livro passa um pouco despercebida mas no filme ganha uma dimensão diferente ajudada pela excelente interpretação de Michael Shannon que com a sua loucura quebra o socialmente conveniente e aceitável, verbalizando o que se pensa mas não se diz e fazendo de contraponto e elemento contrastante ás ideias idealistas e argumentos do casal Wheller.
Preferi o livro ao filme apenas pelo maior desenvolvimento das personagens

sábado, 28 de abril de 2018

Prémios Nobel da Literatura Ibero-Americana


Em Janeiro fui ver uma pequena exposição ou como lhe chamaram Mostra "Prémios Nobel da Literatura ibero-americana" na Biblioteca Nacional, precedida uns meses antes por uma sessão com Isabel Branco, professora de Estudos Hispânicos e de Tradução da Universidade Nova de Lisboa.


5 Espanhóis
2 Chilenos (onde se inclui a única mulher)
1 Guatemalense
1 Colombiano
1 Mexicano
1 Peruano
1 Português

5 Poetas
5 Escritores
2 Dramaturgos


Na sessão foi feito um breve retrato da literatura ibero-americana, na maior parte das vezes identificada com o realismo mágico surgida no início do século XX entre as décadas de 60 e 70 que funde o universo mágico com a realidade, mostrando elementos irreais ou estranhos como algo habitual e também apresentando esses elementos de forma intuitiva, isto é sem sem explicação. A discrepância entre cultura da tecnologia e cultura da superstição que havia na América Latina naquela época, marca igualmente o realismo mágico.

É certo que nem todos os escritores latino-americanos se enquadram nesta corrente e precisamente os que não se inserem revoltam-se contra este estereótipo que muitas vezes os rotula erradamente, mas também existem aqueles que acabam por fazer um aproveitamento de todo o seu sucesso e se colarem.

No que diz respeito à sua publicação no nosso país existem muitos dos autores que fazem parte do cânone hispano-americano que não se encontram publicados (Mario Benedetti, escritor e poeta uruguaio, Ruben Dario, poeta da Nicaragua) e alguns são publicados com muitos anos de intervalo desde o seu lançamento que pode chegar a rondar entre os 25 e os 45 anos.

Mas passemos aos factos dos Nobéis... em 116 anos de Prémio Nobel da Literatura apenas 12 laureados são ibero-americanos, o que convenhamos é muito pouco tendo em conta a profusão e riqueza deste universo literário, ficando de fora nomes como Jorge Luís Borges, Jorge Amado ou as ainda vivss Lygia Fagundes Telles e Isabel Allende entre muitos outros. Um dos obstáculos apontados é muitas vezes a ausência de traduções das suas obras para uma língua escandinava ou inglesa que permite que se chegue mais facilmente ao escrutínio do Nobel.

José Echegaray (1832- 1916) -  Dramaturgo Espanhol 
Prémio Nobel em 1904 (partilhado com o poeta provençal Frédéric Mistral)
«como reconhecimento das inúmeras e brilhantes composições que, de forma pessoal e original, permitem reviver a grande tradição do drama espanhol».
- Não existem livros publicados em português

Jacinto Benavente (1866-1954) - Dramaturgo Espanhol 
Prémio Nobel em 1922
«pela forma feliz com que deu continuidade à ilustre tradição do drama espanhol»
- Não se encontra publicado em português
«Alguns escritores aumentam o número de leitores, outros apenas aumentam o número de livros»
Gabriela Mistral (1889- 1957) - Poetisa Chilena
Prémio Nobel em 1945 (a única mulher)
«pela poesia lírica, inspirada por emoções poderosas, o que fez do seu nome um símbolo das aspirações e ideais de todo o mundo latino-americano»
- Não se encontra publicada em português

Juan Ramón Jiménez (1881- 1958) - Poeta Espanhol 1956
Prémio Nobel em 1956
«pela sua poesia lírica que na língua espanhola constitui um exemplo de elevação espiritual e de pureza artística».

Miguel Ángel Asturias (1899- 1974) - Escritor Guatemalense
Prémio Nobel em 1967
«pelo seu vívido contributo literário, profundamente enraizado nos traços identitários e nas tradições dos povos indígenas da América Latina».
- Livros "O Senhor Presidente" e "Lendas da Guatemala" com edições esgotados apenas possíveis de  encontrar em alfarrabistas 
«O trabalho do romancista é tornar visível o invisível através da palavras»

Pablo Neruda (1904-1973) - Poeta Chileno
Prémio Nobel em 1971
«pela poesia que com a energia de uma força telúrica reaviva o destino e os sonhos de um continente».
- Livros publicados em português

Vicente Aleixandre (1898- 184) - Poeta Espanhol
Prémio Nobel em 1977
«por  uma escrita poética criativa que ilumina a condição do homem no cosmos e na sociedade actual, ao mesmo tempo que representa a grande renovação das tradições de poesia espanhola entre Guerras».

Gabriel Garcia Marquez (1927-214) - Escritor Colombiano
Prémio Nobel em 1982 
«pelos seus romances e contos, em que o fantástico e o real se combinam num mundo imaginário fecundo que reflecte a vida e os conflitos de um continente»
«Eu não tenho um método. Tudo o que eu faço é ler muito, pensar muito e reescrever constantemente, não é uma coisa científica.»

Camilo José Cela (1916-2002) - Escritor Espanhol
Prémio Nobel em 1989
«pela prosa rica e intensa, que com uma contida compaixão forma uma visão desafiadora da vulnerabilidade humana»
- Livros "A Cruz de Santo Andre", "A Colmeia", "Madeira de Buxo", Onze Contos de Futebol" com edições esgotados apenas possíveis de  encontrar em alfarrabistas 
«A mais nobre função de um escritor é dar testemunho, qual acta de notário e fiel cronista do tempo que lhe calhou viver.»

Octavio Paz (1914-1998) - Poeta e ensaísta Mexicano
Prémio Nobel em 1990
«pela sua escrita apaixonada de horizontes largos, caracterizada pela inteligência dos sentidos e por uma integridade humanista».
- Livro "Vislumbres da Índia" e "Antologia Poética" com edição esgotada

José Saramago (1922-2010) - Escritor Português
Prémio Nobel em 1998 
«pelas parábolas alicerçadas na imaginação, compaixão e ironia nos permitem continuamente compreender uma realidade efémera»
Livros publicados em português
«Sou um escritor atípico. Só escrevo porque tenho ideias. Sentar-me a pensar que tenho que inventar uma história para escrever um livro nunca me aconteceu e nunca me acontecerá. Necessito de algo que me sacuda por dentro e que se me agarre com força.»

Mario Vargas Llosa (1936) - Escritor Peruano
Prémio Nobel em 2010
«pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens, mordazes e críticas, de resistência individual, revolta e derrota»
- Livros publicados em português
«Escreve-se para preencher vazios, para fazer separações contra a realidade, contra as circunstâncias.»
Entre os mais conhecidos e com maior divulgação e publicação em Portugal encontramos claro está o nosso Saramago, Neruda, Garcia Márquez e Vargas Llosa. Quanto a Neruda, a sua projecção está primeiramente ligada ao processo político vivido no Chile em que se envolveu e mais tarde ao filme "O Carteiro de Pablo Neruda", baseado no livro de Antonio Skármeta que acabou por catapultar a divulgação da sua obra junto das novas gerações. Garcia Márquez também beneficiou com a adaptação de várias das suas obras ao cinema como "Crónica de Uma Morte Anunciada" (1987), "Ninguém Escreve ao Coronel" (1999), "O Amor em Tempos de Cólera" (2007) ou "Memórias de Minhas Putas Tristes" (2011).

E para quando o próximo Nobel para a literatura ibero-americana e para quem, existem por aí palpites?!


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Jane Eyre - OPINIÃO


Mais um clássico lido para o Clube dos Clássicos Vivos em que se lê um livro a cada dois meses e depois o debatemos num encontro de animadas e cruzadas conversas, sempre especial. E que livro este e que protagonista esta Jane Eyre que dá nome ao título e de quem vamos acompanhar praticamente toda a sua trajectória de vida.

  


                    
                               JANE EYRE
de Charlotte Brontë
    Difel, 2004
Romance (Clássico)
    388 páginas 








Jane Eyre é um clássico da  literatura inglesa escrito por Charlotte Brontë, inicialmente sob o pseudónimo de Currer Bell por julgar que a sua maneira de escrever e pensamento não seriam propriamente femininos mas também por considerar que as escritoras eram à época olhadas com preconceito. Foi publicado pela primeira vez em 1847 e é tido como a autobiografia ficcionada da autora. Consta da célebre lista dos 1001 Livros para Ler Antes de Morrer.

Numa altura em que a mulher era feita para casar e cuidar da família, sendo o casamento a única forma de garantir a sua subsistência, Jane vai marcar a diferença e trazer uma nova perspectiva, a da mulher independente, emancipada e obstinada que consegue viver e vencer por si própria.

" - Não sou nenhum pássaro: nenhuma armadilha me prenderá; sou uma criatura livre, dependente apenas da minha própria vontade. "


A história começa com Jane com 10 anos, órfã de mãe e de pai, cresce em casa de uma tia, mulher do irmão da sua mãe que cuida dela em promessa ao marido falecido e que não tem qualquer afeição por ela, isto num ambiente de severidade, rejeição e mesmo crueldade por parte dos primos. Segue-se o orfanato e o infortúnio mantém-se, vive em condições mínimas onde  muita vezes a comida escasseia, mas Jane aproveita para se educar, aplica-se nos estudos e acaba por se tornar professora.  Todas as dificuldades por que passa fortalecem-lhe o carácter  e dão-lhe um enorme desejo de independência que a leva à procura de novos horizontes que a acabarão por conduzir a tornar-se preceptora de uma menina francesa numa mansão isolada no campo.

A narradora desta história é a própria Jane que ao longo de todo o livro  se vai dirigindo a nós leitores ora para nos instigar a imaginar determinada situação ora para nos situar, estabelecendo connosco uma espécie de diálogo que nos chama constantemente para a história e acaba por nos levar a vivenciar a história de forma mais próxima.

Mas voltemos à narrativa, o proprietário da mansão de Thornfield Hall é Mr. Edward Rochester, um homem rude e carrancudo, enigmático e algo manipulador mas por quem Jane não se deixa intimidar, falando com ele completamente à vontade numa base de quase igualdade. A menina Adéle é sua protegida, filha de uma mulher com quem teve uma relação mas da qual não é o pai. Jane acaba por se encantar por Mr. Rochester e depois apaixonar-se, separa-os uma diferença de 20 anos apesar do amor ser recíproco, no entanto um segredo antigo vai ensombrar a vida dos dois e colocar Jane numa encruzilhada, sob uma enorme luta interior que poderá traçar-lhe um novo rumo.

Passada no ambiente característico da chamada Literatura Gótica, esta história vai trazer uma atmosfera misteriosa não só ao nível dos acontecimentos como dos próprios cenários envolventes. Coisas estranhas e sinistras acontecem na mansão acastelada, com a sua coroa de ameias, sugerindo o sobrenatural, um riso estranho e uma gargalhada estridente vindos de um quarto remoto, uma vela que surge no meio do corredor ou um incêndio por explicar que vão conferir ao romance uma aura misteriosa e intrigante que prende.
  
E por tudo isto e o tanto mais que ainda poderia dizer, "Jane Eyre" é muito mais do que uma historia de amor, é a história de uma rapariga-mulher em busca da sua realização pessoal e independência e que durante esse caminho acaba por, de facto, encontrar o carinho e amor que nunca teve mantendo-se sempre coerente aos seus princípios, verdadeira, corajosa e senhora da sua vontade. Mas é também um livro critico em relação à sociedade vitoriana em que os homens dominam tanto no espaço público como no privado e às mulheres só cabe a submissão e a dedicação exclusiva à manutenção do lar e educação dos filhos.

Um clássico de fácil leitura, envolvente e inesquecível.

Gostei da personagem principal, da sua densidade e de ver a sua evolução e amadurecimento. Gostei da forma como a vamos conhecendo através dos seus pensamentos e por vezes da sua conversa interior. Gostei da comunicação directa com o leitor que nos faz sentir bem presentes na história. Gostei do ambiente gótico e misterioso.

***** (Adorei)

Charlotte Brontë
(1816-1855) foi uma escritora inglesa, a mais velha das conhecidas irmãs Brontë (Anne e Emily) cujas novelas se tornaram clássicos da literatura inglesa. Começou por escrever poesia, foi professora e governanta. Escreveu mais três romances para além e depois deste, Shirley (1849) também publicado em Portugal com o título Os Caminhos do Amor, Villette (1853) e O Professor publicado já após a sua morte em 1857.

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