sábado, 28 de abril de 2018

Prémios Nobel da Literatura Ibero-Americana


Em Janeiro fui ver uma pequena exposição ou como lhe chamaram Mostra "Prémios Nobel da Literatura ibero-americana" na Biblioteca Nacional, precedida uns meses antes por uma sessão com Isabel Branco, professora de Estudos Hispânicos e de Tradução da Universidade Nova de Lisboa.


5 Espanhóis
2 Chilenos (onde se inclui a única mulher)
1 Guatemalense
1 Colombiano
1 Mexicano
1 Peruano
1 Português

5 Poetas
5 Escritores
2 Dramaturgos


Na sessão foi feito um breve retrato da literatura ibero-americana, na maior parte das vezes identificada com o realismo mágico surgida no início do século XX entre as décadas de 60 e 70 que funde o universo mágico com a realidade, mostrando elementos irreais ou estranhos como algo habitual e também apresentando esses elementos de forma intuitiva, isto é sem sem explicação. A discrepância entre cultura da tecnologia e cultura da superstição que havia na América Latina naquela época, marca igualmente o realismo mágico.

É certo que nem todos os escritores latino-americanos se enquadram nesta corrente e precisamente os que não se inserem revoltam-se contra este estereótipo que muitas vezes os rotula erradamente, mas também existem aqueles que acabam por fazer um aproveitamento de todo o seu sucesso e se colarem.

No que diz respeito à sua publicação no nosso país existem muitos dos autores que fazem parte do cânone hispano-americano que não se encontram publicados (Mario Benedetti, escritor e poeta uruguaio, Ruben Dario, poeta da Nicaragua) e alguns são publicados com muitos anos de intervalo desde o seu lançamento que pode chegar a rondar entre os 25 e os 45 anos.

Mas passemos aos factos dos Nobéis... em 116 anos de Prémio Nobel da Literatura apenas 12 laureados são ibero-americanos, o que convenhamos é muito pouco tendo em conta a profusão e riqueza deste universo literário, ficando de fora nomes como Jorge Luís Borges, Jorge Amado ou as ainda vivss Lygia Fagundes Telles e Isabel Allende entre muitos outros. Um dos obstáculos apontados é muitas vezes a ausência de traduções das suas obras para uma língua escandinava ou inglesa que permite que se chegue mais facilmente ao escrutínio do Nobel.

José Echegaray (1832- 1916) -  Dramaturgo Espanhol 
Prémio Nobel em 1904 (partilhado com o poeta provençal Frédéric Mistral)
«como reconhecimento das inúmeras e brilhantes composições que, de forma pessoal e original, permitem reviver a grande tradição do drama espanhol».
- Não existem livros publicados em português

Jacinto Benavente (1866-1954) - Dramaturgo Espanhol 
Prémio Nobel em 1922
«pela forma feliz com que deu continuidade à ilustre tradição do drama espanhol»
- Não se encontra publicado em português
«Alguns escritores aumentam o número de leitores, outros apenas aumentam o número de livros»
Gabriela Mistral (1889- 1957) - Poetisa Chilena
Prémio Nobel em 1945 (a única mulher)
«pela poesia lírica, inspirada por emoções poderosas, o que fez do seu nome um símbolo das aspirações e ideais de todo o mundo latino-americano»
- Não se encontra publicada em português

Juan Ramón Jiménez (1881- 1958) - Poeta Espanhol 1956
Prémio Nobel em 1956
«pela sua poesia lírica que na língua espanhola constitui um exemplo de elevação espiritual e de pureza artística».

Miguel Ángel Asturias (1899- 1974) - Escritor Guatemalense
Prémio Nobel em 1967
«pelo seu vívido contributo literário, profundamente enraizado nos traços identitários e nas tradições dos povos indígenas da América Latina».
- Livros "O Senhor Presidente" e "Lendas da Guatemala" com edições esgotados apenas possíveis de  encontrar em alfarrabistas 
«O trabalho do romancista é tornar visível o invisível através da palavras»

Pablo Neruda (1904-1973) - Poeta Chileno
Prémio Nobel em 1971
«pela poesia que com a energia de uma força telúrica reaviva o destino e os sonhos de um continente».
- Livros publicados em português

Vicente Aleixandre (1898- 184) - Poeta Espanhol
Prémio Nobel em 1977
«por  uma escrita poética criativa que ilumina a condição do homem no cosmos e na sociedade actual, ao mesmo tempo que representa a grande renovação das tradições de poesia espanhola entre Guerras».

Gabriel Garcia Marquez (1927-214) - Escritor Colombiano
Prémio Nobel em 1982 
«pelos seus romances e contos, em que o fantástico e o real se combinam num mundo imaginário fecundo que reflecte a vida e os conflitos de um continente»
«Eu não tenho um método. Tudo o que eu faço é ler muito, pensar muito e reescrever constantemente, não é uma coisa científica.»

Camilo José Cela (1916-2002) - Escritor Espanhol
Prémio Nobel em 1989
«pela prosa rica e intensa, que com uma contida compaixão forma uma visão desafiadora da vulnerabilidade humana»
- Livros "A Cruz de Santo Andre", "A Colmeia", "Madeira de Buxo", Onze Contos de Futebol" com edições esgotados apenas possíveis de  encontrar em alfarrabistas 
«A mais nobre função de um escritor é dar testemunho, qual acta de notário e fiel cronista do tempo que lhe calhou viver.»

Octavio Paz (1914-1998) - Poeta e ensaísta Mexicano
Prémio Nobel em 1990
«pela sua escrita apaixonada de horizontes largos, caracterizada pela inteligência dos sentidos e por uma integridade humanista».
- Livro "Vislumbres da Índia" e "Antologia Poética" com edição esgotada

José Saramago (1922-2010) - Escritor Português
Prémio Nobel em 1998 
«pelas parábolas alicerçadas na imaginação, compaixão e ironia nos permitem continuamente compreender uma realidade efémera»
Livros publicados em português
«Sou um escritor atípico. Só escrevo porque tenho ideias. Sentar-me a pensar que tenho que inventar uma história para escrever um livro nunca me aconteceu e nunca me acontecerá. Necessito de algo que me sacuda por dentro e que se me agarre com força.»

Mario Vargas Llosa (1936) - Escritor Peruano
Prémio Nobel em 2010
«pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens, mordazes e críticas, de resistência individual, revolta e derrota»
- Livros publicados em português
«Escreve-se para preencher vazios, para fazer separações contra a realidade, contra as circunstâncias.»
Entre os mais conhecidos e com maior divulgação e publicação em Portugal encontramos claro está o nosso Saramago, Neruda, Garcia Márquez e Vargas Llosa. Quanto a Neruda, a sua projecção está primeiramente ligada ao processo político vivido no Chile em que se envolveu e mais tarde ao filme "O Carteiro de Pablo Neruda", baseado no livro de Antonio Skármeta que acabou por catapultar a divulgação da sua obra junto das novas gerações. Garcia Márquez também beneficiou com a adaptação de várias das suas obras ao cinema como "Crónica de Uma Morte Anunciada" (1987), "Ninguém Escreve ao Coronel" (1999), "O Amor em Tempos de Cólera" (2007) ou "Memórias de Minhas Putas Tristes" (2011).

E para quando o próximo Nobel para a literatura ibero-americana e para quem, existem por aí palpites?!


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