quinta-feira, 12 de abril de 2018

Jane Eyre - OPINIÃO


Mais um clássico lido para o Clube dos Clássicos Vivos em que se lê um livro a cada dois meses e depois o debatemos num encontro de animadas e cruzadas conversas, sempre especial. E que livro este e que protagonista esta Jane Eyre que dá nome ao título e de quem vamos acompanhar praticamente toda a sua trajectória de vida.

  


                    
                               JANE EYRE
de Charlotte Brontë
    Difel, 2004
Romance (Clássico)
    388 páginas 








Jane Eyre é um clássico da  literatura inglesa escrito por Charlotte Brontë, inicialmente sob o pseudónimo de Currer Bell por julgar que a sua maneira de escrever e pensamento não seriam propriamente femininos mas também por considerar que as escritoras eram à época olhadas com preconceito. Foi publicado pela primeira vez em 1847 e é tido como a autobiografia ficcionada da autora. Consta da célebre lista dos 1001 Livros para Ler Antes de Morrer.

Numa altura em que a mulher era feita para casar e cuidar da família, sendo o casamento a única forma de garantir a sua subsistência, Jane vai marcar a diferença e trazer uma nova perspectiva, a da mulher independente, emancipada e obstinada que consegue viver e vencer por si própria.

" - Não sou nenhum pássaro: nenhuma armadilha me prenderá; sou uma criatura livre, dependente apenas da minha própria vontade. "


A história começa com Jane com 10 anos, órfã de mãe e de pai, cresce em casa de uma tia, mulher do irmão da sua mãe que cuida dela em promessa ao marido falecido e que não tem qualquer afeição por ela, isto num ambiente de severidade, rejeição e mesmo crueldade por parte dos primos. Segue-se o orfanato e o infortúnio mantém-se, vive em condições mínimas onde  muita vezes a comida escasseia, mas Jane aproveita para se educar, aplica-se nos estudos e acaba por se tornar professora.  Todas as dificuldades por que passa fortalecem-lhe o carácter  e dão-lhe um enorme desejo de independência que a leva à procura de novos horizontes que a acabarão por conduzir a tornar-se preceptora de uma menina francesa numa mansão isolada no campo.

A narradora desta história é a própria Jane que ao longo de todo o livro  se vai dirigindo a nós leitores ora para nos instigar a imaginar determinada situação ora para nos situar, estabelecendo connosco uma espécie de diálogo que nos chama constantemente para a história e acaba por nos levar a vivenciar a história de forma mais próxima.

Mas voltemos à narrativa, o proprietário da mansão de Thornfield Hall é Mr. Edward Rochester, um homem rude e carrancudo, enigmático e algo manipulador mas por quem Jane não se deixa intimidar, falando com ele completamente à vontade numa base de quase igualdade. A menina Adéle é sua protegida, filha de uma mulher com quem teve uma relação mas da qual não é o pai. Jane acaba por se encantar por Mr. Rochester e depois apaixonar-se, separa-os uma diferença de 20 anos apesar do amor ser recíproco, no entanto um segredo antigo vai ensombrar a vida dos dois e colocar Jane numa encruzilhada, sob uma enorme luta interior que poderá traçar-lhe um novo rumo.

Passada no ambiente característico da chamada Literatura Gótica, esta história vai trazer uma atmosfera misteriosa não só ao nível dos acontecimentos como dos próprios cenários envolventes. Coisas estranhas e sinistras acontecem na mansão acastelada, com a sua coroa de ameias, sugerindo o sobrenatural, um riso estranho e uma gargalhada estridente vindos de um quarto remoto, uma vela que surge no meio do corredor ou um incêndio por explicar que vão conferir ao romance uma aura misteriosa e intrigante que prende.
  
E por tudo isto e o tanto mais que ainda poderia dizer, "Jane Eyre" é muito mais do que uma historia de amor, é a história de uma rapariga-mulher em busca da sua realização pessoal e independência e que durante esse caminho acaba por, de facto, encontrar o carinho e amor que nunca teve mantendo-se sempre coerente aos seus princípios, verdadeira, corajosa e senhora da sua vontade. Mas é também um livro critico em relação à sociedade vitoriana em que os homens dominam tanto no espaço público como no privado e às mulheres só cabe a submissão e a dedicação exclusiva à manutenção do lar e educação dos filhos.

Um clássico de fácil leitura, envolvente e inesquecível.

Gostei da personagem principal, da sua densidade e de ver a sua evolução e amadurecimento. Gostei da forma como a vamos conhecendo através dos seus pensamentos e por vezes da sua conversa interior. Gostei da comunicação directa com o leitor que nos faz sentir bem presentes na história. Gostei do ambiente gótico e misterioso.

***** (Adorei)

Charlotte Brontë
(1816-1855) foi uma escritora inglesa, a mais velha das conhecidas irmãs Brontë (Anne e Emily) cujas novelas se tornaram clássicos da literatura inglesa. Começou por escrever poesia, foi professora e governanta. Escreveu mais três romances para além e depois deste, Shirley (1849) também publicado em Portugal com o título Os Caminhos do Amor, Villette (1853) e O Professor publicado já após a sua morte em 1857.

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6 comentários:

  1. Embora, como saibas, não tenha adorado o livro, aquilo que eu gosto mesmo é do que tu falas - do ambiente gótico, do mistério (da mulher no sótão). Beijinhos :)

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    1. Pois é verdade, tu não gostaste assim tanto. O ambiente de mistério torna-o o livro intrigante mas também gosto muito da Jane, da sua personalidade e da história em si. E ainda fiquei a gostar mais dela e da própria Charlote com o filme que vi "To Walk Invisible - As Irmãs Brontë", elas eram realmente muito à frente para a sua época. Jinhos :)

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  2. Um clássico que vou conhecer um deste dias...

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    1. Vale muito a pena e espero que aprecie tanto como eu, apesar de ser um livro que talvez cause mais impacto nas mulheres por toda a história de superação e vanguarda da protagonista. Boa leitura!

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