segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

6 Considerações sobre o Diário de Anne Frank ou a Esperança no meio da Tragédia


No dia 27 de Janeiro comemorou-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e aqui pela blogosfera e pelo booktube existiram uma série de projectos evocativos deste dia que desafiaram a leituras sobre o tema ou que se passassem neste contexto.

Escolhi O Diário de Anne Frank porque estava mais do que na altura de o ler, o livro quase que dispensa apresentações pelo tanto que já foi contado e adaptado e pelo símbolo do Holocausto em que Anne Frank se tornou. É o relato de uma jovem adolescente judia a viver em Amesterdão durante a 2ª Guerra Mundial que aos 13 anos se vê obrigada a "mergulhar" com a sua família numa espécie de anexo para assim tentarem sobreviver à perseguição aos judeus e onde vão acabar por permanecer durante dois anos. A descrição desses dois anos é nos contada num diário que Anne mantinha, escrito em forma de cartas endereçadas a uma amiga imaginária a quem deu o nome de Kitty.
Durante este período acompanhamos o crescimento de Anne com todos os seus dilemas e conflitos interiores, as suas dificuldades de vivência com os outros e em especial com a sua mãe, a descoberta do primeiro amor, as inquietações e até sonhos e expectativas para o futuro. E tudo isto acompanhado pela evolução da guerra que vai ouvindo pela rádio.

As minhas considerações sobre o livro:

1. É um documento histórico sobre a vivência dos judeus "mergulhados", aqueles que desapareceram voluntariamente e se esconderam para fugir às convocações das SS e aos campos de concentração. O diário documenta toda essa realidade, a forma como viviam e sobreviviam, em que condições, as contingências dessa clandestinidade e de se viver com medo. E é ao mesmo tempo representativo da crueldade do cerceamento da liberdade a que uns são sujeitos a viver por crueldade e supremacia de outros.

2. Demonstra o absurdo das teorias de discriminação racial ou étnica, uma vez que as alegrias, tristezas, problemas e esperanças são as mesmas em todos os seres humanos e a vida passa da mesma forma, experenciando-se os mesmos sentimentos independentemente da raça.

3. Deve ser lido por qualquer jovem pois é um excelente retrato psicológico da adolescência com todos os seus conflitos e dilemas próprios passando inclusive pela descoberta do amor. A incompreensão sentida por todos que a rodeiam, o conflito de gerações e personalidades com a mãe que se agrava devido à circunstâncias em que vivem e os questionamentos sobre o mundo e os outros.

4. Revela a importância e o poder quase curativo da escrita para aliviar o coração e libertar sentimentos. Ao desabafar com o seu diário que Anne encara como uma amiga imaginária, expressa ~lhe todos os seus sentimentos na esperança de ser um grande amparo. Alivia o seu coração de todos os pesos ao escrever, o que lhe evita muitos conflitos desnecessários e magoar os outros pois como ela escreve "... o papel é mais paciente do que os homens".

5. É um exemplo de fé e esperança em dias melhores e no futuro, de coragem e alegria perante as condições bem adversas muito longe da nossa imaginação. Anne nunca perde a sua fé, primeiramente em Deus  a quem agradece pela possibilidade de desenvolver o seu espírito e de poder escrever para exprimir o que vive e em quem também acredita e espera que libertará os judeus daquele sofrimento.
Exemplo de coragem que a própria Anne aponta como um dos factores mais importantes para a sua sobrevivência naquela situação e que a fazem aguentar e não a deixam afogar perante a infelicidade que por vezes a assola. E de esperança no futuro para sonhar com o desejo de vir a ser jornalista e escritora.

6. Mas perante tal tragédia e situações ficará sempre a dúvida, "Será possível que alguma vez mais possamos rir e divertir-nos como outrora, mesmo quando tudo isto tiver passado? (...) Não consigo imaginar que o Mundo possa voltar a ser para nós o que era antes."

**** (Gostei muito)


ANNE FRANK
12 Junho 1929 / 12 Março 1945
Ar patusco e olhos muito bonitos,
personalidade forte, intempestiva, tagarela e respondona,
sensível, com uma grande força emocional, um profundo poder de introspecção e compreensão da realidade que a rodeava,
curiosa, estudiosa, apaixonada por livros e por escrever.



"Quero vir a ser alguém. (...) quero continuar a viver depois da minha morte. (...) Quero conquistar o meu lugar no Mundo e trabalhar para a Humanidade."
"Hei-de publicar um livro depois da guerra: O anexo. se serei ou não bem sucedida, não se pode prever, mas o meu diário servir-me-á de base"

Mais informações e histórias sobre Anne Frank

1 comentário:

  1. A menina escreve muito bem,excelente texto sobre Anne Frank.A menina devia pensar em escrever um livro.

    ResponderEliminar